O oftalmologista, Dr. Rodrigo Thiesen Müller explica sobre o transplante de córnea. Clique aqui e saiba mais!
A entrevista foi ao ar no @programa.euevoce e você acompanha aqui.
Saiba mais sobre Transplante de Córnea na reportagem do Dr. Rodrigo Müller!
A córnea consiste de um tecido transparente, de formato circular com aproximadamente 12mm de diâmetro e menos de 1mm de espessura. Uma córnea saudável deve ser totalmente clara e apresentar uma curvatura apropriada para que a luz entre através da pupila e possa ser recebida dentro do olho, formando uma visão com nitidez. Caso a córnea perca sua transparência ou sua regularidade, em decorrência de uma cicatriz ou inchaço, ou ainda, caso a córnea tenha os valores de sua curvatura alterada, a qualidade da visão será afetada. Nos casos em que um transplante de córnea se faz necessário, a córnea doente é removida e substituída por um tecido corneano transparente e saudável. Existe uma série de patologias que pode afetar a saúde normal da córnea. De maneira geral, traumas ou infecções corneanas podem levar a formação de cicatrizes. Distrofias da córnea, que podem ter caráter hereditário, podem afetar camadas específicas do tecido, induzindo a perda de sua transparência. Ectasias corneanas, mais comumente o ceratocone, consistem de patologias que levam ao encurvamento progressivo da córnea ocasionando perda importante na qualidade de visão do paciente. De maneira geral, um transplante de córnea é indicado para o paciente que possui uma alteração no tecido corneano na qual não pode ter a visão melhorada com o uso de óculos ou lentes de contanto ou ainda em casos onde a dor não pode ser aliviada com uso de medicações ou lentes de contato específicas. Os transplantes de córnea já são realizados no mundo há mais de 1 século. A tradicional e centenária técnica, chamada de transplante de córnea penetrante, consiste na substituição de todas as camadas do tecido corneano. No entanto, com o avanço da tecnologia aliada a progressivas melhorias nas técnicas cirúrgicas ao longo dos anos, nos permitimos hoje oferecer aos pacientes procedimentos mais modernos. Os chamados transplantes de córnea lamelares consistem na remoção e substituição apenas das camadas corneanas afetadas, preservando o tecido sadio do paciente. Entre eles, o transplante de córnea endotelial (conhecido por siglas como DSAEK e DMEK) tem apenas a fina camada interna da córnea substituída e o transplante de córnea lamelar anterior (conhecido pela sigla DALK) tem a porção anterior da córnea substituída, poupando o tecido posterior saudável. São inúmeras as vantagens dos transplantes parciais frente aos transplantes de espessura total, entre elas, recuperação visual mais rápida, menor taxa de rejeição e complicações no período pós operatório. Um transplante de córnea jamais seria possível se não fosse pela generosa atitude de um doador de órgãos. A legislação brasileira permite a doação de órgão e tecidos apenas com o consentimento dos familiares. Por isso, converse com seus entes queridos a respeito de sua vontade de se tornar um doador. Milhares de pessoas em todo o país aguardam nas filas dos bancos de olhos por uma oportunidade de enxergar a vida. Dr. Rodrigo T. Müller Médico Oftalmologista – CRM-SC 13196 / RQE 9696 Áreas de atuação: Córnea, Catarata e Refrativa.Pós graduando em nível de doutorado – UNIFESPPostdoctoral fellow – Harvard Medical SchoolOrientador clínico/cirúrgico nos serviços de ensino do Hospital de Olhos de Blumenau e do Banco de Olhos de Sorocaba.
Ceratocone
Ceratocone é uma doença não inflamatória progressiva que afeta a córnea, tornando-a mais fina e com formato cônico, sendo também chamado de ectasia corneana. Há influência de fatores genéticos no surgimento do ceratocone, mas em 90% dos casos a doença aparece sem nenhum histórico familiar. É muito frequente sua associação com quadros de alergia ocular, pois o fato de coçar os olhos repetidamente (característica típica da alergia) pode desencadear o desenvolvimento do ceratocone ou agravá-lo. O ceratocone também é mais comum em pacientes portadores de Síndrome de Down, Síndrome de Marfan e Prolapso da Válvula Mitral. O principal sintoma da doença é a diminuição da acuidade visual causada pelo astigmatismo irregular. Nos casos iniciais, pode-se corrigir o embaçamento visual com óculos, mas com o avançar da doença, são necessários outros recursos para a melhora da visão, tais como lentes de contato, principalmente as rígidas gás-permeáveis. O diagnóstico, geralmente feito na adolescência, é realizado quando há suspeita da presença de astigmatismo irregular, o qual é confirmado com a realização de uma Topografia Computadorizada da córnea (exame que mostra o formato e elevação da córnea). Existem 4 graus de ceratocone: I – incipiente; II – leve; III – moderado; IV – avançado. O curso da doença é bastante variável, sendo que alguns pacientes apresentam ceratocone incipiente ou leve e mantêm-se estáveis por anos, enquanto outros progridem rapidamente. Em alguns casos selecionados, temos a opção de realizar o Crosslinking. Este procedimento consiste na aplicação combinada de radiação ultravioleta e riboflavina (vitamina B2), que tem o objetivo de fortalecer as ligações covalentes entre as fibras de colágeno presentes na córnea, evitando a progressão da doença. Quando há falha do tratamento clínico, as possibilidades cirúrgicas são implante de anel intraestromal e, nos casos mais avançados, transplante de córnea, que pode ser total (transplante penetrante) ou parcial (transplante lamelar anterior profundo). Drª. Larissa Carolina Bauer Koerich