É possível cirurgia em casos que o laser não resolve?
Em alguns casos, sim. Lentes fácicas podem ser usadas em casos de graus muito altos de miopia, hipermetropia e astigmatismo e que não podem ser submetidas ao tratamento com laser. Estas consistem no uso de lentes intraoculares, e assim são chamadas, pois o paciente conserva o cristalino – a lente natural que temos dentro do olho e que nos dá o poder de enxergar para perto sem óculos até certa idade. Estas lentes já estão disponíveis no Brasil e são aprovadas pela Anvisa. Elas são colocadas dentro dos olhos através de uma rápida cirurgia, com a intenção de corrigir o grau que a pessoa usa nos óculos. São consideradas seguras e usadas no mundo inteiro devido a sua boa previsibilidade, estabilidade e por não comprometer a acomodação, além de ter a vantagem de ser um procedimento reversível. Em certos casos não podem ser utilizadas, e nestes o seu médico indicará o melhor procedimento para correção da visão. Dr. José Roberto M. Castro é Diretor Clínico, Chefe do Centro Cirúrgico e do Serviço de Transplante de Córnea do Hospital de Olhos de Blumenau e Chefe do Serviço de Transplante de Córnea do Hospital Santa Isabel
O que é Uveíte?
Uveíte é uma inflamação da parte dos olhos que acomete o trato uveal, que é composto por: íris (estrutura que dá cor aos olhos), corpo ciliar e coroide (composto basicamente por vasos sanguíneos). Quando ocorre o acometimento inflamatório de uma destas estruturas ou o conjunto das mesmas, denomina-se uveíte. As causas de inflamação do trato uveal podem ser: traumáticas, infecciosas, tumorais e autoimunes. Lacerações corneanas, perfuração ocular, queimaduras químicas e físicas e corpos estranhos intraoculares são exemplos de uveítes traumáticas. Dentre as causas infecciosas, a toxoplasmose destaca-se como a de maior incidência em nosso meio. Metástases ou tumores primários oculares são responsáveis pelas uveítes tumorais ou síndromes de mascaramento. Doenças sistêmicas como artrite reumatóide juvenil, espondiloartropatia soro-negativas, doença de Behçet e outras doenças imunes são etiologias de uveítes autoimunes. O principal sinal de uma uveíte é o olho vermelho, devido ao processo inflamatório – mas pode não acontecer em todos os casos. Inicialmente, o paciente com uveíte pode visualizar pequenos pontos que se movimentam de acordo com a posição do olho, e estes, com a incidência da luz formam pequenas sombras flutuantes na retina, sendo chamados de moscas volantes. Se ocorrer aumento progressivo destas moscas volantes, pode ser um sintoma indicativo de atividade inflamatória. O embaçamento visual e a dor também são sintomas de uveíte. A realização do diagnóstico é o primeiro passo para o tratamento das uveítes. A partir disso traça-se o esquema terapêutico. O tratamento pode ser feito com colírios, medicamentos orais e/ou endovenosos. Em alguns casos, devido ao agente etiológico e a gravidade da inflamação, realiza-se tratamento em regime hospitalar com a internação do paciente e administração de medicamentos. As uveítes são doenças inflamatórias oculares que podem levar à baixa visual e à cegueira quando não tratadas. Podem causar cegueira devido às complicações ocasionadas pelo processo inflamatório que podem acarretar um desarranjo arquitetônico das estruturas intraoculares, levando a uma baixa visual reversível ou irreversível. Catarata, glaucoma, descolamento de retina, membranas retinianas, atrofia óptica, oclusões vasculares e atrofia de globo ocular são exemplos de complicações causadas por uveítes. Essa inflamação acomete indivíduos de qualquer idade, sexo e classe social. O diagnóstico é de essencial importância para o tratamento e prevenção das crises de uveítes. Em casos de olho vermelho, dor, moscas volantes e embaçamento visual, procure seu oftalmologista. Lembre- se: as uveítes têm tratamento, quanto mais precoce o diagnóstico, melhor o prognóstico. Dr. Cristiano Coelho Ludvig é especialista em Uveítes
Lentes Intraoculares
Antigamente, a cirurgia de catarata era realizada através de uma grande incisão. Para que os pacientes voltassem a enxergar normalmente, era necessária a utilização de óculos de 13,00 graus, pois as lentes intraoculares ainda não eram utilizadas. A partir da década de 80, as lentes intraoculares se popularizaram, permitindo então a substituição do cristalino do olho por uma lente artificial. A utilização desse método atual garante que somente em alguns casos os pacientes precisam usar óculos para longe e perto, dependendo da lente intraocular que foi implantada, tornando assim a cirurgia da catarata também um procedimento refrativo. Existem vários tipos e modelos de lentes intraoculares. As lentes mais modernas são chamadas Lentes Intraoculares PREMIUM. Elas se dividem em: Lentes Monofocais Asféricas: propiciam visão para longe e após a cirurgia o paciente necessita do uso de óculos; Lentes Tóricas: corrigem até 5.00 graus do astigmatismo corneano pré-operatório; Lentes Asféricas Multifocais Difrativas e Lentes Asféricas Multifocais Difrativas Tóricas: propiciam visão para longe e para perto (em 90% dos casos, o paciente não necessita do uso de óculos ou fica menos dependente deles). O que é uma Lente Asférica?Quase toda córnea tem aberrações positivas. Uma pessoa jovem tem o cristalino com um formato que compensa estas aberrações da córnea, o que torna sua visão muito boa. Porém, com a idade, o cristalino vai se modificando e não possui mais a capacidade de corrigir aberrações corneanas, piorando assim a visão e a sensibilidade ao contraste. Com o advento das lentes asféricas, restauramos a condição óptica dos olhos jovens, comprovando que a visão é muito melhor com esta, comparada às lentes intraoculares esféricas. Além disso, estudos recentes comprovam que as lentes asféricas propiciam melhor sensibilidade ao contraste, além de aprimoramento da visão e, consequentemente, melhor qualidade de vida. Dr. Hermógenes C. S. Renuzza
Lentes de contato e os adolescentes
É comum nessa fase da vida, se interessar por lentes de contato. Porém, cuidados importantes devem ser tomados, como a visita a um oftalmologista para uma adequada avaliação. Exames são indicados para que o profissional avalie se há possibilidade de uso e selecione a lente ideal para os testes de adaptação. Nessa fase, o médico verificará a relação lentes de contato e olhos e saberá se causarão algum dano à visão. A adaptação das lentes leva tempo e disposição. O adolescente deve saber colocar, retirar e limpar as lentes e o estojo antes de iniciar o uso. É importante respeitar o horário de uso sugerido pelo oftalmologista, inutilizar as lentes descartáveis na data de validade correta, pois, aparentemente, podem estar confortáveis, mas ao passar da data de descarte já se inicia o processo de deterioração do material, podendo acarretar em danos à visão. Muitas vezes, colegas acabam adquirindo lentes em ópticas, onde nem sempre são orientados corretamente quanto à limpeza, horário de uso e descarte. É fundamental estimular os jovens a seguirem as orientações do oftalmologista, pois somente este profissional é responsável pela saúde ocular da população. É imprescindível aconselhar o adolescente quanto ao perigo de emprestar ou trocar as lentes, pois seu uso é individual e intransferível. Há casos de jovens que usaram lentes coloridas de amigos e acabaram com úlcera de córnea e perda da visão. Faz-se necessário estar ciente de que as lentes podem machucar os olhos. Em um dia a adaptação pode estar excelente e no outro apresentar problemas. Trata-se de um processo dinâmico. Ao apresentar alguma modificação, quer seja no conforto com as lentes, na visão ou na presença de sintomas (olhos vermelhos, aflição à luz, doloridos, com sensação de cisco, lacrimejantes), o usuário deve retirar as lentes e procurar o oftalmologista para avaliação. É de extrema importância o retorno ao seu médico para reavaliação das lentes nas datas agendadas. O adolescente deve sempre ter em mãos o telefone do Serviço de Oftalmologia para esclarecer dúvidas que possa vir a ter com o uso das lentes. Fonte: Soblec Dr. Fernando César Ludwig é associado da SOBLEC
Ceratocone
Ceratocone é uma doença não inflamatória progressiva que afeta a córnea, tornando-a mais fina e com formato cônico, sendo também chamado de ectasia corneana. Há influência de fatores genéticos no surgimento do ceratocone, mas em 90% dos casos a doença aparece sem nenhum histórico familiar. É muito frequente sua associação com quadros de alergia ocular, pois o fato de coçar os olhos repetidamente (característica típica da alergia) pode desencadear o desenvolvimento do ceratocone ou agravá-lo. O ceratocone também é mais comum em pacientes portadores de Síndrome de Down, Síndrome de Marfan e Prolapso da Válvula Mitral. O principal sintoma da doença é a diminuição da acuidade visual causada pelo astigmatismo irregular. Nos casos iniciais, pode-se corrigir o embaçamento visual com óculos, mas com o avançar da doença, são necessários outros recursos para a melhora da visão, tais como lentes de contato, principalmente as rígidas gás-permeáveis. O diagnóstico, geralmente feito na adolescência, é realizado quando há suspeita da presença de astigmatismo irregular, o qual é confirmado com a realização de uma Topografia Computadorizada da córnea (exame que mostra o formato e elevação da córnea). Existem 4 graus de ceratocone: I – incipiente; II – leve; III – moderado; IV – avançado. O curso da doença é bastante variável, sendo que alguns pacientes apresentam ceratocone incipiente ou leve e mantêm-se estáveis por anos, enquanto outros progridem rapidamente. Em alguns casos selecionados, temos a opção de realizar o Crosslinking. Este procedimento consiste na aplicação combinada de radiação ultravioleta e riboflavina (vitamina B2), que tem o objetivo de fortalecer as ligações covalentes entre as fibras de colágeno presentes na córnea, evitando a progressão da doença. Quando há falha do tratamento clínico, as possibilidades cirúrgicas são implante de anel intraestromal e, nos casos mais avançados, transplante de córnea, que pode ser total (transplante penetrante) ou parcial (transplante lamelar anterior profundo). Drª. Larissa Carolina Bauer Koerich
Cuidados com os Olhos
O que você tem feito para manter a saúde dos seus olhos? Lembre-se que a prevenção é a melhor maneira de evitar os problemas de visão. Assista abaixo ao filme que traz algumas dicas. O vídeo também está disponível no CBO TV. Fonte: Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Hipertensão Ocular
O hipertenso ocular é uma pessoa que tem pressão ocular alta, a qual não é observada com os exames de rotina, nem uma alteração estrutural do nervo óptico, nem da camada de fibras nervosas da retina. Também não há alteração funcional do campo visual. Fonte: Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Uso de colírios não é recomendado sem avaliação do oftalmologista
Não é recomendável o uso de colírios sem a avaliação prévia do oftalmologista, que pode encontrar a causa da irritação e fazer um tratamento apropriado. Muitos colírios descongestionantes contêm drogas vasoconstritoras que “branqueiam” o olho, mas o efeito é curto e não curativo. Logo, ocorre vasodilatação, o olho fica vermelho e a pessoa pode querer pingar mais gotas, gerando assim um costume à medicação. Além disso, poderia desencadear glaucoma agudo nos pacientes predispostos. Fonte: Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Glaucoma Infantil
Com menor frequência do que nos adultos, as crianças também podem ser afetadas pelo glaucoma. Os bebês com glaucoma congênito podem apresentar: “lacrimejamento”, fotofobia e blesfarospasmos. Como o globo ocular das crianças é elástico, ele pode aumentar devido à pressão intraocular elevada, dando a aparência de olhos grandes e bonitos (é como se a pressão intraocular “inchasse” o olho). É aconselhável que as crianças sejam submetidas a uma avaliação oftalmológica. Fonte: Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Poeiras, ciscos e estilhaços podem causar até lesões permanentes
Poeira, ciscos e estilhaços podem entrar nos olhos e causar desde uma irritação até uma lesão permanente, em função da velocidade com que o corpo estranho chega até o olho, do tipo de substância e também do ponto em que ele se localiza no globo ocular. Se o cisco estiver em cima da parte colorida do olho, não se deve mexer. Procure imediatamente atendimento médico. Já quando for um simples cisco na pálpebra inferior, poderá ser retirado cuidadosamente com um cotonete, ou a ponta de um lenço limpo. Fonte: Conselho Brasileiro de Oftalmologia